quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Manoel de Barros


Foto do site:http://lounge.obviousmag.org/humano_demasiado_humano/2013/06/a-embriaguez-do-perfume-das-palavras-de-manoel-do-barros.html


Ontem choveu furiosamente, em uma terra onde o sol arde...
Hoje o dia está um tanto tímido...Ora o sol flerta entre as nuvens, ora as nuvens flertam com o sol.
Ontem desci a ladeira de paralelepípedos... pensativa... Transpira poesia.
E no porto que a mesma leva...
Um céu de nuvens detalhadamente desenhadas em cores e densidade...
Descontextualizado com a terra de céu aberto e sol forte.
Hoje amanhece um vento fresco, frio para o corumbaense...
e esse vento bate...
E hoje, esse vento traz a saudade que virá
de um poeta, que me abriu os ouvidos para o silêncio
e os olhos para o miúdo.
Sensibilidade e singeleza e sutileza
Manoel de Barros, o poeta pantaneiro...
se foi.
Silêncio para honrá-lo
e uma vida repleta de insignificâncias...
é o que levo.

"A poesia está guardada nas palavras – é tudo que eu sei.
Meu fado é o de não saber quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades.
Não tenho conexões com a realidade.
Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.
Para mim poderoso é aquele que descobre as insignificâncias (do mundo e as nossas).
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
Fiquei emocionado.
Sou fraco para elogios.”
 
Tratado geral das grandezas do ínfimo, Manoel de Barros





sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Sobreviventes


Quero ser leve.
Ponderar e pensar
furiosamente pelo presente, passado que se sente
na pele.
Antes, enquanto e depois, de sair na rua
Antes, enquanto e depois de precisar 
do direito, aos direitos de humano que sou e luto por ser e continuar sendo.
No entanto, a humanidade é posta a prova todos os dias desafiantes que são de sobrevivência.
Sobrevive-se.
A balança de equilíbrio em que cada um faz a sua parte,
pesa gigantescamente nas costas dos que lutam pela vida.
Não há segurança, não há educação de qualidade, nem hospitais equipados, 
não há polícia, militares, moradores e traficantes vencedores na guerra.
Mas há governos, bem desgovernados vencendo, lucrando.
"Seguros, saudáveis, educados e equipados".
Jogam com os sobreviventes, em favor próprio,
pois não há próximo, não há povo, não há morte, mortes
que mude o olhar do centro do umbigo, para o centro do país.
É fadigante, desanimador, depressivo
tirar as vendas e olhar além do bandido que atira e mata.
E da polícia que atira e mata.
Ambos matam.
Sonhos, deles e de outros, devedores ou não.
Somos conduzidos pela mídia a sermos sanguinários e a ansiar a morte e a justiça
aos que ferem o corpo e alma, seja polícia, seja bandido, bandido-polícia ou polícia-bandido.
Mas será que um dia seremos guiados a olhar além? Sair da caverna e enxergar o que nos levou a sentir e estar como estamos?
Até quando ficaremos satisfeitos com os culpados que nos lançam?
Até quando iremos ter que decidir entre Jesus e Barrabás? Por que não escolher os fariseus?
Por que não escolher nós mesmos?
Quero ser leve.
Ponderar e pensar
furiosamente pelo presente e pelo futuro.








quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Sobre ser estudante de Psicologia.


Sou estudante de Psicologia há 2 anos e 8 meses.
Já não sou mais a mesma. Meu olhar é diferente. É crítico e me irrita as vezes... 
Já não gosto das parcialidades, prefiro o dinamismo da integralidade.
As contradições me perseguem... Sempre questiono por dentro o que vejo... 
Dentro e fora. 
Mas algumas coisas ainda me enganam... 
Me perguntam sobre o que farei com a Psicologia... Digo que não sei, só sei o que ela tem feito comigo.
Me vejo confusa, com tantas informações, afinal há uma diversidade de leituras para fazer como qualquer curso superior, mas ela está dentro dos poucos que proporcionam antagonismos teóricos, disse poucos para não generalizar... Mas não conheço nenhum outro.
Esperam que eu saiba sobre Freud, Skiner, Vigotsky e suas crias e conterrâneos... eu também.
Tenho 4800h para cumprir até 2016, estou sobrevivendo... são 5 anos integrais, excede minhas manhãs e tardes.
Meus estágios?! Diversos... Na saúde, Na escola, No social, sem contar as atividades práticas, todas necessitadas de projetos e mais projetos. Esse ano estou no clímax de 5 práticas nenhuma remunerada, sem contar o projeto de extensão... 
E mesmo assim, essa profissão nada fácil de cursar vive lutas para não perder sua autonomia para os Doutores Médicos e Psiquiatras... Salve os poucos coerentes.
O que tudo isso tem haver com este blog?
Tudo.
 À pergunta, o que você vai fazer com a Psicologia?
Respondo hoje, 
faço a cada dia algo novo e pretendo fazer mais... muito mais.
Materiamar.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Olhe para dentro.


Existe um lugar...
Onde o infinito 
p r o l o n g a - s e
Onde a realidade 
g r i t a
e expele o que é vida.
se mostra
se joga
desbrava-se.
Lugar onde as vendas são a r r a n c a d a s
uma a uma
e lançadas para longe
e quase que simultaneamente,
os olhos 
voltam-se para o lugar de onde nunca deviam ter se desviado.
Do f o c o.
Naquele que é infinito.
Existe um lugar...
Onde as mazelas humanas de quem lá vive estão expostas,
mas, diferente da arte,
essa arte não atrai olhares... os repele.
Por vergonha, medo, constrangimento do que vê
Nesse lugar, de escolhas, de reflexão e ação
O humano pode expressar-se ou inibir-se,
Este lugar,
Está dentro, 

Em uma distância 
entre

 você e você.

C u l t i v e - o
M a t e r i a m e...
A si.
A Deus.
Aos 
o u t r o s...

*Foto de: Adriele Adams, tirada no Projeto Pantanal 2014 -Brasil/Paraguai, povos ribeirinhos e indígenas. 




quarta-feira, 28 de maio de 2014

Garotos III



Há algumas semanas, vi uma cena se repetir que me fez lembrar de tantas outras...
Uma cena que me intriga toda vez que a presencio, cena que me faz refletir e questionar.
Vi uma criança acenar.
Desconhecida de mim, mas acenou pra mim!
Passou a minha frente, de uns 5 anos no máximo, de mãos dadas com um adulto, 
dois metros depois, virou, me olhou nos olhos, me desconcertou, sorriu e acenou.
Isso já aconteceu antes, 
eu dentro do ônibus elas na rua.
Eu na bike, elas também, na rua.
Na rua, sempre nela.
Perguntei pra Deus, pela primeira vez o sentido daquilo
Só estava eu e Ele... dessa vez.
Das outras ninguém deu atenção, as respostas eram de que crianças fazem isso e só.
Mas nesse dia, em que estava eu e Ele,
a resposta foi mais minuciosa, simples, sábia e cheia de sentido.
Lembrou-me o quanto devo me espelhar nelas,
 que como elas são com Ele assim devo eu ser e buscar...
Ser...
Espontânea, igual quem se joga nos braços de quem ama,
Alegre, como quem se desmancha no riso ao lado de quem nada tem do que se esconder,
Transparente, como quem nada precisa falar, onde o choro e o riso tudo diz,
onde o suspiro traduz...
Com olhar translúcido, pensamento aberto.
caminhar seguro.
De mãos dadas...
Na rua. Nas ruas. Vilas. Estradas. Becos...
Candura, alento e ânimo, recebi.
Saltei e corri para os braços daquele que me autoriza,
se como criança for... Amém.



sexta-feira, 2 de maio de 2014

A menina da bicicleta amarela.


Quem é ela? A menina da bicicleta amarela?
Nunca vi ela. Onde mora ela?
Na rua sem chão plano, na casa de cão bravo, de árvore na frente e canteiro do lado
O que faz ela? Pra onde vai ela?
De bicicleta amarela, música no ouvido, canção nos lábios, mochila na cesta, nas costas, nas sextas, segundas, terças, quartas, quintas...lá vai ela?!
Olhos, cabelos ao vento, 
Não tem tempo, tem vento, chuva, frio, sol muito sol.
A menina da bicicleta amarela, corre que sonha.
O árduo transformou-se em liberdade.
O cansaço em satisfação,
A saúde agradece, a paisagem tece
Uma direção, um novo guia, para o mesmo rumo para o mesmo chão.
Hoje um ano.
Amanhã um fusca.
E assim uma menina, a mesma.
da bicicleta, do fusca, 
Amarelos,
 sonha, 
passa, 
corre e 
voa.


quarta-feira, 30 de abril de 2014

Fusca



Olha quem chegou!
Feliz, muito feliz. 
Suficiência e simplicidade... 
Aos dias frios e chuvosos descanso para bike,
Aos dias curtos, prolongamento... 
As idas e vindas, mais emoção...(risos)
A beleza da vida, complemento.
A infância, recordação. 
Ao cello, proteção.
Ao trabalho, mobilidade.
AMO VCS! OBRIGADA!
Aos amigos, postes, motoristas e pedestres, paciência...hahah
A Deus, coração mais que grato, transbordando de gratidão.
Amém!!!! "Sim bora" no ronco do motor, ao cheirinho de combustível queimado e na companhia de muita música.
Porque a vida ficou mais fácil...bem mais fácil...e do jeito que gosto.
Amarelo, da nossa cor mãe. Porque Deus quis assim.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Linhas tortas


A cada andar, horizontes, vales e planícies...
O que seria da felicidade se não existisse tristeza? Do amor se não houvesse ódio?
Do oásis se o deserto não existisse? Do acerto se erro não conhecesse?
Ápices e declives. Linhas tortas.
Reconhecer a fé, o objetivo alcançado e desfrutar deles são dádivas de quem vive a caminhar, na ousadia e esperança de que vale a pena.
Atravessar desertos seja qual for do literal ao emocional, do concreto ao abstrato, ambos ensinam sobre a vida.
Aprendi que mesmo que o segredo e a verdade da vida estejam em nossas mãos podemos ignorá-lo, e neste ponto Freud me inquieta com a ideia da força de um inconsciente. Por que como me permitir confundir, enfraquecer se a evidência da verdade já me foi demonstrada, apresentada e vivida?! A meu ver, todo ser humano tem um "bichinho", uma porção mesmo que pequena de dúvida, descrença, a conhecida síndrome de Tomé. Alguns vão dizer que esta concepção é verdadeira por que todos são dotados da imperfeição que o pecado proporciona, uma vez que já nascemos pecadores, outros dirão que, simplesmente somos curiosos e que existe um ceticismo primitivo que nasce conosco, e há quem diga que não, aprendemos a duvidar ou a confiar, porque alguém nos ensina sobre essas coisas e de alguma forma aprendemos.
Contudo o fato é que assim como o que é bom existe o mal também existe, assim também o é com todas as demais dicotomias que nos rodeiam, o claro por conta do escuro, amor e ódio, suave e agressivo, verdade e  mentira. 
Traçamos dicotomias a partir de algum princípio, e nos portamos assim de forma a valorizar o lado bom em contraposição ao que nos soa como ruim.
 Para que um princípio seja estabelecido como parâmetro para uma contraposição, é necessário que este seja melhor, preferível, maior.
Assim entende-se que o mal, o ódio, a mentira, a agressividade existem em segundo plano, logo são menores do que o que é melhor e mais prazeroso.
Mesmo que venhamos a traçar linhas tortas, de ápices e declives nada mais é do que tentativas de alcançar o princípio maior de uma base de sustentabilidade e equilíbrio pra nossa vida.
Jesus transcrito através de Mateus, no cáp. 7 a partir do verso 24 ensina a importância de termos um princípio sólido, princípio este que ao ser contraposto, se mantém sólido e firme, diminuindo qualquer tentativa de erro. 
As contraposições são meios de evidenciar, exaltar o que realmente é perfeito, bom e agradável. Durante o caminho tudo o que surge e que escolhemos viver, por escolher a contraposição ao invés do princípio fazem com que o caminho seja mais longo, nunca um fim, pois o princípio por ser maior não se submete a pequenas coisas, mas faz delas formas de enfatizar o que é melhor, Ele próprio. Prudente é aquele que se firma e evita as quedas que as dúvidas podem levar.










sábado, 22 de março de 2014

Bem-Aventurados



"Eu lhes digo: bem-aventurado é aquele que
se expõe a uma existência nunca antes dominada,
que não transcende, mas antes se entrega à minha graça sempre transcendente. 
Bem aventurados não são os iluminados, dos quais cada pergunta foi respondida e que se deleitam com seus sublimes
lampejos de aguçada percepção, os maduros e prontos a quem resta somente a ação de cair da árvore. Bem-aventurados são antes os perseguidos, os assediados que devem diariamente se ver diante de meus enigmas, incapazes de resolvê-los.
Bem-aventurados são os pobres em espírito,
aqueles a quem lhes falta aquela esperteza. Ai dos ricos, e ai dos duplamente ricos em espírito! Embora nada seja impossível para Deus, é difícil para o Espírito mover seus corações gordos.
Os pobres são dispostos e fáceis de conduzir. Como filhotes de cachorro, não tiram os olhos da mão de seu mestre, para ver se talvez ele lhes lançará algum bocado de seu prato. Assim também, cuidadosamente, os pobres seguem o meu comando de que escutem o vento (que sopra onde quer), mesmo quando muda de direção.
 A partir do céu podem ler o tempo e interpretar os sinais dos tempos. 
Minha graça é despretensiosa, mas os pobres se satisfazem com pequenos dons."

(Hans Urs von Balthasar - Heart os the World,1980 -)

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Vida "dê" Valor a Vida


Há de se perguntar: A vida tem valor ou é necessário dar valor a vida?
A primeira sentença diz, que a vida por si só tem um valor, um valor uno, inato.
A segunda revela, que a mesma nada vale se um olhar não revelar que determinada vida tem um valor qualquer que seja, mesmo que este olhar seja o próprio. De quem a vida pertence.
Nascer e logo desfalecer ou nascer e nem tão logo assim morrer. Ou ainda nascer e viver e morrer bem no auge do "desanoitecer". 
Se com 24 dias, 83 anos ou cinquenta e poucos, não importa, o término chega e em cada um deles... há muito, pouco e nada a se dizer. 
Inesperado, esperado, surpreendente igual para cada um deles.
Observar cada episódio, exprimiu diversos atos e sentidos de amor de quem conhecia de perto, de quem esteve perto.
No entanto quem apenas passa, quem vive de passagem na vida, apenas passa por si e pelos outros, esses não acolhem, não estendem a mão, não estão por perto para ao menos nada dizer. Usam de curiosidade. Frieza. Distração.
Terrível é a omissão de ajuda, de amor de humanidade.
Em um desses episódios, na morte de um senhor de 83 anos, o descaso amargou a garganta.
De longe vi um senhor sendo deixado na calçada por dois homens, como se fosse um bêbado, em frente a igreja. Assim imaginei, um bêbado em frente a igreja.
(Como temos a facilidade de nos acomodar, de olhar o trágico como não tão trágico assim).
Passou alguns minutos, talvez 30 e percebi que duas pessoas conversavam sobre aquele homem, mencionando que o mesmo estava morto.
Um gosto amargo me veio a boca, muitas possibilidades a minha mente.
Por que não fui oferecer ajuda? porque pensei que estava bêbado. Por que não ajudei?
Imediatamente pedimos socorro, ligamos para o SAMU, Bombeiros, Polícia, desesperados mas era tarde de mais. O senhor quando foi deixado estava passando mal, aparentemente infartando, e nem eu que de longe julguei e me convenci de alcoolismo socorri, nem aqueles que o levaram até ali o fizeram.
Uma tristeza tomou meu coração, e uma frieza veio ao me ver sendo omissa tão ingenuamente.
É necessário fugir desse sentimento de normalidade, que o cotidiano, a mídia nos propõem diariamente. Capazes de nos tornar cegos. Capazes de nos tornar robóticos e frios. A morte e a vida. O humano. Estão se tornando um desvalor, por conta do excesso.
Amar é ser atento, Amar é se dispor, Amar é saber, perceber e agir.
O valor precisa ser dado a vida, o fruto de vida precisa ser colhido e regado, ser árvore boa.
Nesse dia mais uma vez, não amei, não materiamei e o que me entristece mais é saber que muito do que sinto e penso sobre o que poderia ser, está carregado de justificativas para amenizar a minha consciência juntamente com a vontade de ter feito mais.
É preciso se importar mais, amar mais ao próximo, no mínimo como a nós mesmos.
A cada erro, menos um para se cometer novamente.
Amém.




Não vive sem...

DEUS...
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