Vida "dê" Valor a Vida


Há de se perguntar: A vida tem valor ou é necessário dar valor a vida?
A primeira sentença diz, que a vida por si só tem um valor, um valor uno, inato.
A segunda revela, que a mesma nada vale se um olhar não revelar que determinada vida tem um valor qualquer que seja, mesmo que este olhar seja o próprio. De quem a vida pertence.
Nascer e logo desfalecer ou nascer e nem tão logo assim morrer. Ou ainda nascer e viver e morrer bem no auge do "desanoitecer". 
Se com 24 dias, 83 anos ou cinquenta e poucos, não importa, o término chega e em cada um deles... há muito, pouco e nada a se dizer. 
Inesperado, esperado, surpreendente igual para cada um deles.
Observar cada episódio, exprimiu diversos atos e sentidos de amor de quem conhecia de perto, de quem esteve perto.
No entanto quem apenas passa, quem vive de passagem na vida, apenas passa por si e pelos outros, esses não acolhem, não estendem a mão, não estão por perto para ao menos nada dizer. Usam de curiosidade. Frieza. Distração.
Terrível é a omissão de ajuda, de amor de humanidade.
Em um desses episódios, na morte de um senhor de 83 anos, o descaso amargou a garganta.
De longe vi um senhor sendo deixado na calçada por dois homens, como se fosse um bêbado, em frente a igreja. Assim imaginei, um bêbado em frente a igreja.
(Como temos a facilidade de nos acomodar, de olhar o trágico como não tão trágico assim).
Passou alguns minutos, talvez 30 e percebi que duas pessoas conversavam sobre aquele homem, mencionando que o mesmo estava morto.
Um gosto amargo me veio a boca, muitas possibilidades a minha mente.
Por que não fui oferecer ajuda? porque pensei que estava bêbado. Por que não ajudei?
Imediatamente pedimos socorro, ligamos para o SAMU, Bombeiros, Polícia, desesperados mas era tarde de mais. O senhor quando foi deixado estava passando mal, aparentemente infartando, e nem eu que de longe julguei e me convenci de alcoolismo socorri, nem aqueles que o levaram até ali o fizeram.
Uma tristeza tomou meu coração, e uma frieza veio ao me ver sendo omissa tão ingenuamente.
É necessário fugir desse sentimento de normalidade, que o cotidiano, a mídia nos propõem diariamente. Capazes de nos tornar cegos. Capazes de nos tornar robóticos e frios. A morte e a vida. O humano. Estão se tornando um desvalor, por conta do excesso.
Amar é ser atento, Amar é se dispor, Amar é saber, perceber e agir.
O valor precisa ser dado a vida, o fruto de vida precisa ser colhido e regado, ser árvore boa.
Nesse dia mais uma vez, não amei, não materiamei e o que me entristece mais é saber que muito do que sinto e penso sobre o que poderia ser, está carregado de justificativas para amenizar a minha consciência juntamente com a vontade de ter feito mais.
É preciso se importar mais, amar mais ao próximo, no mínimo como a nós mesmos.
A cada erro, menos um para se cometer novamente.
Amém.




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