segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Solitude e a Canção¹ de Sandy e Tiago.

O ano ainda não acabou, mas estamos quase lá.
Em janeiro fiz um compromisso de solitude, um refúgio no a sós com o Eterno que já ensaiava a tantos outros anos... De lá para cá aprendi a diferença entre Solitude e Solidão, que solitude, é a capacidade de estar só. 
Winnicott² teorizou a respeito desta capacidade, a ser desenvolvida no processo de maturação emocional sendo indispensável à presença de alguém, contraditório não? Pois é, ele falava de solitude, não de solidão... A solitude é o estar só por escolha consciente, não tem nada a ver com o sentimento de abandono/ solidão. E este processo é necessário para o nosso amadurecimento.
Ao sermos criados, o Eterno disse o quanto não era bom estarmos sozinhos³ e as escrituras por Ele inspiradas, reafirmam isso, o próprio criador nos garante companhia eterna⁴... Winnicott não falava de espiritualidade, obviamente, mas sua teoria fez sentido para mim.
Na Solitude, desfrutar da companhia do eterno não é fácil nem simples... não sei por que mas a maioria de nós, temos dificuldade de parar. Parar para refletir, desfrutar do ócio, vazio. Será que é medo de sentir falta do que anseia? de enfrentar o sentimento de frustação? possivelmente. São tantos os medos...  
Para expressar o que acontece no decorrer dos dias, após esse compromisso...  Reescrevo o dueto entre Sandy e Tiago, em paráfrase...  Como sendo o meu com o Eterno, podendo ser seu também.


Suellen: Eu ainda estou aqui
Perdido em mil versões
Irreais de mim
Estou aqui por trás de todo o caos
Em que a vida se fez

Jesus: Tenta me reconhecer no temporal
Me espera
Tenta não se acostumar
Eu volto já
Me espera

Suellen: Eu que tanto me perdi
Em sãs desilusões ideais de mim
Não me esqueci
De quem eu sou
E o quanto devo a você

Jesus: Tenta me reconhecer no temporal
Me espera
Tenta não se acostumar
Eu volto já
Me espera

Suellen: Mesmo quando me descuido
Me desloco
Me deslumbro
Perco o foco
Perco o chão
Eu perco o ar
Me reconheço em teu olhar
Que é o fio pra me guiar
De volta
De volta

Jesus: Tenta me reconhecer no temporal
Espera
No temporal
Me espera
Tenta não se acostumar
Eu volto já
Me espera
Eu ainda estou aqui

Assim seja, Deus seja e esteja. 


¹ Música: Me espera sandy feat Tiago Iorc Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=zBUurckfIiE
²D.W.Winnicott - O ambiente e os processos de maturação: Estudos sobre a teoria do desenvolvimento emocional (1958).
³Genesis 2:18
João 14

terça-feira, 26 de julho de 2016

Liquidez


A gente habitua-se. Sim, ouvimos dizer muitas vezes, ou dizemo-lo nós próprios. A gente habitua-se, dizemo-lo, dizem-no, com uma serenidade que parece autêntica, porque realmente não existe, ou ainda não se descobriu, outro modo de deitar cá para fora com a dignidade possível as nossas resignações, o que ninguém pergunta é a custa de que de se habitua a gente. (SARAMAGO, 2000, p.249)

Habituar é uma palavra que tem me incomodado bastante, assim como naturalizar, normalizar, conformar.
Um homem de pés sujos disse certa vez que ao olhar o mundo, não devemos vê-lo com naturalidade, conformismos. Mas devemos transformá-lo através da renovação da nossa mente. (Rm12:2)
Transformação, eis uma palavra cativante.
Sabe, quando observo a loucura na qual vivemos e a mesma deteriorizando nossa capacidade de ser humanos. Isso, mesmo... estamos liquidificando (eu, tentando citar Bauman...rs).
O sociólogo, diz dessa liquidez nas relações humanas, no amor, na sociedade... como algo que está em colapso, no sentido da incerteza e insegurança, onde a solidez dos referenciais morais antigos estão perdendo espaço para o artificial, o imediatismo, o consumismo. Há críticas, mas ok, prossigamos...
Tudo isso tem uma relação em si sem dúvida, humano que somos, modificamos e somos modificados pelo que nos rodeia, e se a sociedade está doente... estamos nós. Afinal quem adoece quem? ou quem adoeceu primeiro? 
Fato é que estamos nos habituando a esse ser desumano a cada dia que passa. Se antes segundo a evolução, nos constituímos\lutamos e conquistamos nossa humanidade. Hoje, arrisco dizer que estamos em processo de solidificação dessa liquidez.
Atos cada vez mais irracionais, assim escolho pensar, devastadores, impulsionados
pelo imediatismo, dirá uma reação de reflexo, e essas reações por "reflexo" estão normartizando, naturalizando, habituando-se. 
 - "Mas como? eu não, eu me incomodo, me entristeço com os desastres." 
 - Por quanto tempo? qual a duração da nossa revolta? a que movimento ela nos leva?
Há algumas semanas, não preciso contar a história ou postar a foto para que você saiba do que estou falando, racionais que somos, apenas três palavras bastam para a imagem vir a sua mente. MENINA - SANGUE - MÃE.
Não consegui vir na internet parafrasear, e gritar minha angustia.
Não desceu, ver duas mãos ocupadas com uma camêra que poderiam estar em um abraço a criança desolada.
Me cansa a realidade que Tiago musicalizou, "Quando foi a última vez, que você saiu sem... instagranear"  acrescento facebokear, snapear, youtubear... (IORC, Música: Sol que me faltava)
Não consigo entender...o compartilhamento do horror em um instante, e no instante seguinte como um mergulho rápido, ou uma piscadela a atenção sai do horror para uma comédia em imagem ou vídeo.
Somos produto. Produto do que como os jornais e as mídias em geral nos ensinam a fazer e ser... Somos treinados ao "habituar-se" como disse Saramago, com uma serenidade que parece autêntica. 
A esperança está no que ele diz em seguida... Parece autêntica, pois "...realmente não existe, ou ainda não se descobriu outro modo de deitar cá para fora com a dignidade possível as nossas resignações..." não existe ou encontrou, um outro modo de aceitar pacificamente as dores ou sofrimentos da vida, como traduz o dicionário o sentido da palavra resignação...
Que não esqueçamo-nos nunca de ao menos nos perguntar o "a custa de que de se habitua a gente".
A custa de que, se habitua a gente?
Habituam a gente,
dizem-nos.
dizemo-los.

"Não se ajustem de mais à sua cultura, a ponto de não poderem pensar mais. Em vez disso, concentrem a atenção em Deus... Diferentemente da cultura dominante, que sempre o arrasta para baixo, ao nível da imaturidade. Deus extrai o melhor de vocês e desenvolve em vocês uma verdadeira maturidade." 
(Romanos 12.2 - Versâo A Mensagem, de Eugene Petterson)





Não vive sem...

DEUS...
AmA...sua FAMÍLIA, Amigos novos e ANTIGOS...Fazer AMIGOS, Fotografia, MÚSICA, Culturas, VIAJAR, Observar, INOVAR, Ouvir, LER, Refletir, ARTE, CRIATIVIDADE, Surpresa, APRECIAR, lembrar e relembrar, SENTIR, Cativar, CANTAR, contar/ouvir uma NOVIDADE, Cultivar, Saborear, SORRIR, bom CHEIRO bom, GARGALHADA, Curtir a VIDA e as PESSOAS...VIVER!